'Estamos prontos para responder' diz líder da União Europeia sobre tarifaço de Trump; veja reações dos países
03/04/2025
(Foto: Reprodução) Urusla Von Der Leyen afirmou que o bloco prepara mais pacotes de medidas para proteger seus interesses. Países da Ásia e Europa de manifestaram. Chefe do Executivo da União Europeira, Ursula Von Der Leyen, afirmou que o bloco está "pronto para responder" às tarifas recíprocas anunciadas por Donald trump nesta quarta-feira (2).
"Estamos preparando pacotes de medidas para proteger os nosso interesses", disse. "Nós permaneceremos juntos, nossa união é a nossa força".
Veja a lista completa de taxas cobradas pelos EUA por país
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Apesar do tom de confronto , Von Der Leyen também afirmou que a UE pretende negociar com os Estados Unidos e que ações serão tomadas caso a negociação falhe.
Segundo Trump, as tarifas recíprocas serão metade das alíquotas cobradas por outros países. Além disso, os EUA imporão uma alíquota mínima de 10% aos seus parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
Desde o anúncio na tarde desta quarta (2), líderes mundiais têm exposto suas reações. Alguns países mostraram cautela e vontade de negociar.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia
Reuters/Mariana Greif
Veja a repercussão:
Reino Unido
O secretário de Comércio do Reino Unido, Jonathan Reynolds, disse que o país não vai repensar suas regras fiscais por causa dos Estados Unidos. O representante também afirmou que os EUA permanecem com o status de "amigos" mesmo após as taxas.
Mais cedo, Reynolds disse que a reação inicial era ter calma.
"Os EUA são nossos aliados mais próximos, então nossa resposta é manter a calma e o comprometimento em fazer uma acordo, que esperamos que mitigue o impacto do que foi anunciado hoje", disse Reynolds .
"Temos uma gama de ferramentas à nossa disposição e não hesitaremos em agir. Continuaremos a nos envolver com as empresas do Reino Unido, inclusive em sua avaliação do impacto de quaisquer medidas adicionais que tomarmos."
Espanha
O ministro da Economia espanhola afirmou que o país considera as tarifas "injustas" e "sem justificativa".
Alemanha
O ministro das Finanças da Alemanha afirmou que a União Europeia precisa reagir de forma contundente às tarifas dos Estados Unidos, mas que o bloco comercial permanece aberto a buscar um acordo.
"Seria ingênuo pensar que, se apenas ficarmos parados e deixarmos isso acontecer, as coisas irão melhorar, então espero uma resposta forte da União Europeia", disse Joerg Kukies .
China
A China solicitou aos EUA que cancelem as tarifas imediatamente e afirmou que pretende tomar contramedidas para proteger seus próprios interesses.
Segundo o Ministério do Comércio chinês, a medida dos EUA desconsidera o equilíbrio de interesses alcançado em negociações comerciais multilaterais ao longo dos anos e o fato de que o país tem se beneficiado grandemente do comércio internacional.
Taiwan
O gabinete de Taiwan classificou as tarifas recíprocas como "muito irracionais" e afirmou que irá tratar do assunto com os país.
O órgão afirmou que a taxa de tarifa proposta não reflete a real situação do comércio entre Taiwan e os Estados Unidos.
Coreia do Sul
O Ministério da Indústria da Coreia do Sul informou que Seul buscará consultas com autoridades norte-americanas, tanto em nível sênior quanto operacional, sobre as tarifas.
O órgão disse ainda que pretende analisar seu impacto específico nas indústrias e preparar medidas emergenciais de apoio o mais rápido possível.
Noruega
O primeiro-ministro do país afirmou que tem a pretensão de negociar com os EUA se tiverem a oportunidade.
França
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que se reunirá com os setores afetados pelas tarifas nesta quinta-feira (3).
Suíça
A associação empresarial Economiesuisse afirmou que as tarifas dos Estados Unidos sobre as importações suíças são prejudiciais e injustificadas.
Austrália
Anthony Albanese, premiê da Austrália, outro aliado próximo dos EUA, disse que a decisão de Trump não é "o ato de um amigo", mas disse que seu país não vai adotar tarifas recíprocas em resposta.
"É o povo americano que pagará o maior preço por essas tarifas injustificadas. É por isso que nosso governo não buscará impor tarifas recíprocas. Não entraremos em uma corrida para o fundo do poço que leva a preços mais altos e crescimento mais lento."
Irlanda
"A União Europeia e a Irlanda estão prontas para encontrar uma solução negociada com os EUA. Negociação e diálogo são sempre o melhor caminho a seguir", declarou o ministro do Comércio, Simon Harris.
Espanha
Destoando da maioria das respostas, de tom mais conciliatório, o premiê espanhol, Pedro Sánchez, disse que o país "protegerá suas empresas e trabalhadores e continuará comprometido com um mundo aberto."
Itália
A primeira-ministra italiana, Georgie Meloni, prometeu "fazer tudo o que pudermos para trabalhar em prol de um acordo com os Estados Unidos, com o objetivo de evitar uma guerra comercial que inevitavelmente enfraqueceria o Ocidente em favor de outros atores globais."
"De qualquer forma, como sempre, agiremos pelo interesse da Itália e de sua economia, também nos envolvendo com outros parceiros europeus", acrescentou.
Suécia
"Não queremos barreiras comerciais crescentes. Não queremos uma guerra comercial", disse o primeiro-ministro, Ulf Kristersson. "Queremos encontrar nossa rota de volta para um caminho de comércio e cooperação junto com os EUA, para que as pessoas em nossos países possam desfrutar de uma vida melhor."
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União Europeia
Mais cedo, a UE informou que a expectativa do anúncio já havia provocado reações antes mesmo do discurso do republicano na Casa Branca. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, disse na terça que a União Europeia tem um "plano forte" para retaliar as tarifas impostas por Washington.
"Não queremos necessariamente retaliar. Mas se for necessário, temos um plano forte para retaliar e o usaremos", afirmou, num discurso ao Parlamento Europeu em Estrasburgo. "Nosso objetivo é uma solução negociada. Mas é claro que, se necessário, protegeremos nossos interesses, nosso povo e nossas empresas."
Os EUA anunciaram uma tarifa de 20% sobre produtos europeus.
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Brendan Mialowski/AFP